29/03/2026
Noticías do Vaticano
Em Paris, a missão das “mulheres de oração” junto a vizinhos muçulmanos
Em Paris, a missão das “mulheres de oração” junto a vizinhos muçulmanos
Depois do caminho que nos acompanhou rumo ao Jubileu da Vida Consagrada (8–12 de outubro de 2025), desejamos continuar a caminhar na senda da Esperança, deixando-nos inspirar por novos testemunhos do Sisters Project do Vatican News, que publicaremos semanalmente no nosso site.
Esta semana partilhamos a missão das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria da Fraternidade de Tiberíades em Clichy-sous-Bois, que são uma presença fiel num contexto complexo diante da realidade da multiculturalidade e da multinacionalidade, frequentemente um tema delicado em França.
As Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria (FMM) da Fraternidade Tiberíades iniciaram a sua presença em Clichy-Sous-Bois no 13º andar do edifício HLM (Habitation à Loyer Modéré [Habitação social]), em Paris, entre vizinhos predominantemente muçulmanos. Quando a confraria teve de se transferir do edifício em 2007, a Irmã Jola Nowosielska recorda que «os nossos vizinhos muçulmanos ficaram tristes com a nossa mudança. Disseram: “quem nos vai proteger agora?” Para eles, éramos mulheres de oração».
A missão das mulheres de oração da FMM
Essa fraternidade de Seine Saint-Denis, presente desde 1994 nesse subúrbio parisiense, é uma presença fiel num contexto complexo, face à realidade do multiculturalismo e da multinacionalidade, um tema frequentemente sensível na França. As religiosas testemunham essa onda de desafios sociais através da solidariedade com os vizinhos de diferentes culturas e nacionalidades e através das orações oferecidas pelo mundo – próximo e distante. Assim, são conhecidas pelos seus vizinhos como mulheres de oração.
A população muçulmana é maioritária e mais visível em Clichy-Sous-Bois, bem como em muitos subúrbios parisienses. A Fraternidade Tiberíades foi fundada para dar especial atenção aos cristãos, que são uma minoria nesse contexto social, e a todos sem distinção, tornando-se um lugar de acolhimento e de encontro no bairro. «Mesmo quando não via as religiosas todos os dias, eu sabia que elas estavam lá. Sentia-me reconfortado pela bondade, pela proximidade com as pessoas. Não falavam como os outros», observou Bernard Péyrebesse, um cristão de Clichy-Sous-Bois, vizinho das Irmãs Franciscanas desde 1996.
As atividades da Fraternidade Tiberíades
Ao longo dos anos, as religiosas empenharam-se em capelanias e catequese com jovens, bem como em associações e atividades sociais. A Irmã Alexandrine Lefèvre, uma das fundadoras, iniciou o primeiro programa de apoio educativo em Clichy-Sous-Bois em colaboração com o Secours Catholique. Esse apoio continua até aos dias de hoje, ajudando os alunos das famílias modestas e oferecendo experiências diversas e enriquecedoras, como a visita ao coração de Paris.
Desde o início, as religiosas eram conhecidas pelos vizinhos como mulheres de oração com um estilo de vida simples. Mas até os pequenos incidentes, sinais da realidade das tensões e dos desentendimentos, pontuavam a vida diária. «Quando chegamos, os jovens do bairro olhavam para nós com desconfiança. Por vezes provocavam-nos ou testavam as nossas reações. Mas não era nada de grave», disse a Irmã Jola, uma das fundadoras da fraternidade, responsável da comunidade de Clichy-Sous-Bois desde 2022.
As religiosas foram sempre testemunhas desses problemas sociais, mas, ao mesmo tempo, as relações cordiais e respeitosas com os vizinhos eram parte integrante da realidade nos subúrbios. Testemunharam também uma solidariedade inesperada que acaba se manifestando durante grandes acontecimentos e momentos de tensão. «Quando o Pe. Hamel foi assassinado por terroristas em 2016, vários jovens muçulmanos vieram à igreja num domingo para expressar condolências e disseram-nos que o Islã é religião de paz. Mostraram-nos solidariedade diante desse acontecimento chocante. Os jovens procuram melhorar a convivência numa cidade onde todos os dias se encontram diferentes religiões», disse a Irmã Léa Bakoarivelo, responsável da fraternidade até 2022.
Ao olhar para as religiosas, encontra-se Jesus
Hoje, a missão da Fraternidade Tiberíades concentra-se no acolhimento, na escuta, na oração e na animação do lugar de peregrinação dedicado a Nossa Senhora dos Anjos, um santuário mariano em Clichy-Sous-Bois. «Fiquei muito contente quando esta igreja de São João XXIII foi construída e soube que as religiosas viriam aqui. Não sei o que fazem, mas sei o que são. Não se pode encontrar a solução para todos os problemas. Mas encontrar as pessoas, ouvi-las, é importante, e elas estão lá precisamente para encontrar as pessoas. Olhando para as religiosas, somos remetidos a Jesus», confidenciou o vizinho Péyrebesse com convicção.
No coração da cidade, em encontros inesperados, as “mulheres de oração” estabelecem laços fraternos com os vizinhos e rezam por eles, sejam eles quem forem.
Artigo de Ir. Kyong-Ha Yim, Vatican News
News relacionadas
Noticías do Vaticano
Domingo 24 Maio 2026
Rio do Oeste/SC: o amor e a paciência das Pequenas Missionárias com os idosos
Ler
Noticías do Vaticano
Domingo 17 Maio 2026
As Irmãs do Bom Pastor prestam assistência às vítimas de violência doméstica
Ler
Noticías do Vaticano
Domingo 10 Maio 2026
RD Congo: combonianas partilham uma “causa comum” com os últimos
Ler
Noticías do Vaticano
Segunda-Feira 04 Maio 2026
O Vídeo do Papa: Por uma alimentação para todos
Ler