01/03/2026
Noticías do Vaticano
A missão de Ir. Juliana com os surdos no Quênia: "minhas mãos são a voz de Deus"
A missão de Ir. Juliana com os surdos no Quênia: "minhas mãos são a voz de Deus"
Depois do caminho que nos acompanhou rumo ao Jubileu da Vida Consagrada (8–12 de outubro de 2025), desejamos continuar a caminhar na senda da Esperança, deixando-nos inspirar por novos testemunhos do Sisters Project do Vatican News, que publicaremos semanalmente no nosso site.
Esta semana partilhamos a missão da Ir. Juliana no Quénia, onde serve a comunidade católica de pessoas surdas, usando as suas mãos como «voz de Deus» para anunciar e acompanhar. Num contexto de minoria linguística, oferece uma presença fiel e um testemunho vivo de comunicação evangélica inclusiva.
Num domingo, fora de uma igreja paroquial em Nairobi, no Quênia, a Irmã Juliana Muya, religiosa missionária do Preciosíssimo Sangue, assistiu a algo que mudaria a sua vida. Um jovem chamado Paul, frustrado e incompreendido, era zombado por aqueles que o circundavam. Ridicularizavam-no, dizendo que ele os tinha insultado com gestos estranhos, mas a Ir. Juliana observou algo diferente. «Notei que era surdo», recorda ela, «não conseguia se defender e foi embora arrasado. Pensei que se eu soubesse a linguagem dos sinais, poderia ajudá-lo».
Esse pensamento tornou-se uma missão. Hoje, a Irmã Juliana é uma das intérpretes litúrgicas mais dedicadas da Arquidiocese de Nairobi, no Quênia, garantindo, assim, que a Palavra de Deus chegue à comunidade de surdos. O mundo celebrou o Dia internacional das Pessoas com Deficiência neste 3 de dezembro e a Irmã Juliana é uma das inúmeras religiosas que servem as pessoas com deficiência através da assistência prática, com o objetivo mais profundo de proclamar o Evangelho de Cristo.
Aprender a linguagem das mãos
Em 2015, a sua paróquia anunciou cursos de linguagem de sinais. «Fiquei muito feliz», disse. Inscreveu-se nas aulas na Paróquia de Nossa Senhora de Guadalupe, em Nairobi. «Todos os domingos pegava o meio de transporte para ir às aulas. Não foi fácil, mas perseverei e valeu a pena», disse. «Às vezes, ficava cansada e duvidava de mim mesma, mas continuava a ir em frente. Sabia que os surdos precisavam de alguém que pudesse caminhar com eles na fé», recordou.
Após anos de estudo, prática e tutoria, foi-lhe confiada a tarefa de intérprete litúrgica dominical da Palavra de Deus. «A igreja estava cheia e a comunidade de surdos sentia-se feliz por ter uma intérprete, o que aumentou a minha alegria», afirmou. A Irmã Juliana foi intérprete em inúmeras celebrações e missas transmitidas semanalmente pela TV nacional Kenya Broadcasting Corporation às 9h30 da manhã; um momento que garante que os surdos façam parte da Igreja universal.
Desafios ao longo do percurso
O seu ministério não está isento de obstáculos. «Ninguém sabe o que o bispo ou o sacerdote pregará. Às vezes, usam uma linguagem teológica muito elevada e devo encontrar rapidamente uma maneira de a tornar compreensível na linguagem de sinais», explicou.
A música pode ser outro obstáculo. «Quando o coro canta numa língua que não conheço, tenho de dizer aos surdos que não compreendo. Rimos disso. É humilhante, mas mantém-nos unidos».
Encorajamento e apoio
A Irmã Juliana faz questão de salientar o apoio que recebeu. «O nosso arcebispo, dom Philip Anyolo, da Arquidiocese de Nairobi, é muito encorajador. Incentiva e acompanha tudo o que a comunidade de surdos faz e oferece apoio e encorajamento sempre que é necessário e nos nossos programas anuais. «Muitos me encorajaram, como vários sacerdotes para quem traduzi a missa, dizendo-me que vale a pena», afirmou com convicção a Ir. Juliana.
Os paroquianos também fazem a sua parte: «são muito respeitosos. Deixam sempre o primeiro banco para a comunidade de surdos. Pode parecer pouco, mas para os surdos significa que são vistos e apreciados».
O coração da sua missão
“Digo sempre a mim mesma que as minhas mãos são a voz do Deus vivo. Isso me dá força para continuar a divulgar a obra de Deus à comunidade de surdos e ao meu ser religiosa.”
Ela testemunha que a fé da comunidade de surdos a inspira diariamente. O seu compromisso em participar na missa e nas pequenas comunidades cristãs e em outras atividades é encorajador. Precisam e querem pertencer à Igreja mais ampla. Isso tornou-se um terceiro apostolado na missão da Irmã Juliana na Igreja católica como religiosa; de profissão, é secretária e contabilista.
Uma voz no silêncio
Olhando para trás, a Irmã Juliana se admira com a forma como um simples encontro com um jovem incompreendido se tornou um ministério e uma missão para toda a vida. «Deus usou aquele momento para abrir os meus olhos. Hoje, vejo os surdos não como pessoas silenciosas, mas como pessoas cheias de vida e fé».
Através das suas mãos, a Palavra de Deus encontrou uma nova voz. Mediante o seu serviço, os surdos já não estão à margem, mas no coração da Igreja. O seu ministério é uma ponte entre silêncio e som, exclusão e pertença.
«Na verdade», diz suavemente, «os surdos ensinam-me mais do que eu lhes poderia ensinar. Lembram-me que Deus fala de muitas maneiras e, às vezes, a sua voz mais forte está no silêncio».
Paul, o jovem que motivou a Irmã Juliana a aprender a linguagem de sinais, está grato pelo seu serviço de intérprete. Agora Paul é catequista e ajuda a catequizar a comunidade de surdos. Este ano, a paróquia acolheu um surdo na família da Igreja. Aspira ser sacerdote e começou a aprender espanhol e prepara-se para ir à Espanha para se unir à comunidade de presbíteros surdos. A Irmã Juliana foi de grande ajuda, dado que o assiste a se preparar para a viagem rumo ao sacerdócio e a comunicar com a linguagem de sinais onde quer que seja necessário.
Artigo de Ir. Christine Masivo, Vatican News
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SR ANNUNTIATA MUHONGAYIRE
Congratulations Dear Sr Juliana for your prophetic presence towards the Deaf Community! You were alert to perceive the need with compassion and responded to it passionately! May God bless you abundantly. Sr Annuntiata Muhongayire