14/06/2026

Noticías do Vaticano

A misericórdia de Deus junto às mulheres marginalizadas da Cidade do México

A misericórdia de Deus junto às mulheres marginalizadas da Cidade do México

 

 

Depois do caminho que nos acompanhou rumo ao Jubileu da Vida Consagrada (8–12 de outubro de 2025), desejamos continuar a caminhar na senda da Esperança, deixando-nos inspirar por novos testemunhos do Sisters Project do Vatican News, que publicaremos semanalmente no nosso site.

 

Nesta semana partilhamos a missão das Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor que, nas ruas da Cidade do México, encontram todos os dias numerosas mulheres presas ao circuito da prostituição, muitas vezes marcadas pela violência, pela pobreza e pela marginalização. No meio desta realidade, as irmãs caminham ao lado delas, oferecendo escuta, acolhida e uma presença que devolve dignidade, levando a proximidade de Deus e o testemunho concreto da sua misericórdia.

 

 

 

Nas ruas da Cidade do México, uma metrópole marcada por profundos contrastes, as desigualdades, a pobreza, a marginalização e a violência estrutural atingem amplas faixas da população. Entre os numerosos grupos vulneráveis que percorrem as ruas, encontram-se as mulheres que, por várias circunstâncias da vida, caíram na prostituição. Por detrás de cada uma destas mulheres há histórias complexas, muitas vezes marcadas pela violência, abandono, falta de oportunidades e exclusão desde a mais tenra idade.

 

Perante essa realidade, as Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor saem todos os dias para as ruas - até de noite -, assumindo os riscos que essa missão comporta. A tarefa é estar ao lado das mulheres, ouvi-las, acompanhá-las e oferecer-lhes uma presença que restitui dignidade. O olhar não julga nem questiona o passado; reconhece a pessoa e a sua dignidade. É nesse contexto que Lucía Herrerías, missionária da Fraternidade Missionária Verbum Dei, foi convidada a colaborar com as Irmãs Oblatas para partilhar a Palavra de Deus com estas mulheres:

 

«Quando fui convidada a colaborar com as Oblatas do Santíssimo Redentor no apostolado com as mulheres em situações de prostituição, senti-me atraída pela possibilidade de partilhar a Palavra de Deus com os mais pobres entre os pobres... Com as mais pobres entre as pobres.»

 

Um testemunho que confirma algo essencial: até no meio de situações profundamente difíceis, o coração humano permanece aberto a Deus: «desde o primeiro momento fiquei impressionada com a abertura e a sensibilidade que essas mulheres têm para com a Palavra de Deus. Como sentem a misericórdia de Deus e a sua proximidade, no meio da situação tão difícil em que vivem».

 

O acompanhamento junto às mulheres

 

As Oblatas aproximam-se destas mulheres nos lugares onde trabalham e convidam-nas para participar das atividades, onde recebem formação humana, alfabetização, assistência médica, acompanhamento psicológico e formação na fé: «cada uma delas trilha o próprio caminho pessoal. Algumas conseguem formar-se e encontrar outras formas de vida; para outras é mais difícil, mas em todos os momentos encontram nas religiosas Oblatas um lugar de acolhimento e ajuda, onde aprendem a descobrir a dignidade como pessoas e mulheres, e a tomar as próprias decisões». Neste processo, a Palavra de Deus torna-se fonte de esperança e cura interior:

 

«Impressiona-me e edifica-me constatar que Deus lhes fala através da Sua Palavra, infundindo-lhes esperança. Quando vão embora, sentem-se realmente amadas por Ele.»

 

Lucía conta uma experiência particularmente significativa que ilumina este percurso: «certa vez, durante um retiro em preparação ao Natal, li em voz alta e ajudei uma mulher que não sabia ler a orientar-se no texto. No final, perguntei-lhe o que tinha visto ou sentido permanecendo diante da porta de Belém. Ela respondeu-me que vira a Virgem Maria que lhe entregava o Menino, dizendo-lhe que a amava muito».

 

Esta experiência lembra as palavras de Jesus, quando afirma que as prostitutas e os publicanos precederão muitas pessoas no Reino dos Céus: «desde jovens, muitas levaram uma vida muito dura, dado que às vezes foram os próprios pais ou avós que as obrigaram a prostituir-se desde a adolescência». Lucía realça também a importância da linguagem e do olhar:

 

«Parece-me importante frisar que as religiosas se referem às mulheres não como prostitutas ou escravas do sexo, mas como pessoas em estado de prostituição. A prostituição não é algo que elas são, mas uma situação em que se encontram e da qual podem sair, ainda que o caminho seja longo e difícil. Neste caminho, aprender a rezar e descobrir como Deus lhes fala através da Sua Palavra é uma força e um impulso para continuar a caminhar rumo à própria liberdade.»

 

Uma Igreja que corre o risco de se limitar a observar

 

O trabalho conjunto das Irmãs Oblatas e de Lucía Herrerías é um testemunho vivo do que significa ser Igreja em saída. Uma Igreja que não espera em espaços seguros, mas corre riscos caminhando pelas periferias humanas. Uma Igreja que acredita que a misericórdia é uma experiência concreta que se encarna em gestos, palavras e olhares.

 

O olhar que transforma não é ingênuo. Não nega a dureza da realidade nem romantiza o sofrimento. É um olhar que reconhece a dor, mas não fica preso nela. Trata-se de um olhar que vê possibilidades onde os outros só veem fracassos. Em definitiva, é o olhar de Jesus, que ainda hoje percorre as ruas através de quantos ousam olhar como Ele olha. Hoje, mais do que nunca, a nossa sociedade tem necessidade de aprender esse olhar. Um olhar que não reduz as pessoas ao seu passado, aos seus erros ou às suas circunstâncias. Um olhar que reconhece a dignidade também onde ela parece ter sido anulada. Um olhar que transforma não só quem é visto, mas também quantos ousam olhar a partir do ponto de vista do coração de Deus.

 

Artigo de Irmã Susy Vera, Vatican News

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