21/06/2026

Noticías do Vaticano

Missionárias do Preciosíssimo Sangue abrem as portas do convento a refugiados ucranianos

Missionárias do Preciosíssimo Sangue abrem as portas do convento a refugiados ucranianos

 

 

Depois do caminho que nos acompanhou rumo ao Jubileu da Vida Consagrada (8–12 de outubro de 2025), desejamos continuar a caminhar na senda da Esperança, deixando-nos inspirar por novos testemunhos do Sisters Project do Vatican News, que publicaremos semanalmente no nosso site.

 

Nesta semana partilhamos a missão das Irmãs do Preciosíssimo Sangue que, num momento em que a Europa vive o declínio das vocações, oferecem abrigo àqueles que fogem da guerra, transformando um convento histórico numa casa de esperança.

 

 

Em Aarle-Rixtel, Países Baixos, um castelo secular que outrora acolhia centenas de irmãs Missionárias do Preciosíssimo Sangue (CPS) agora hospeda famílias que fogem dos horrores da guerra.

 

O que antes era uma casa-mãe cheia de orações e hinos tornou-se um santuário para refugiados em busca de segurança e esperança.

 

Em toda a Europa, a diminuição das vocações obrigou muitas congregações religiosas a vender os seus conventos e a reduzir a suas dimensões. Mas as irmãs do Preciosíssimo Sangue escolheram um caminho diferente.

 

Guiadas pelas palavras do seu fundador, abade Francis Pfanner, de «ler os sinais dos tempos», as religiosas transformaram a sua residência histórica num refúgio para deslocados.

 

Esta decisão faz ressoar a sua tradição de hospitalidade, que remonta a 1914 quando, em colaboração com a Cruz Vermelha, acolheram refugiados belgas e croatas durante a primeira guerra mundial. Hoje, com apenas 15 religiosas que permaneceram no convento, formando uma comunidade internacional, revivem esta missão de serviço.

 

Quando, em fevereiro de 2022, foi divulgada a notícia da guerra na Ucrânia, as irmãs rezaram para receber orientação. Com o apoio da comunidade local e do município, acolheram o primeiro grupo de 40 refugiados. Hoje, 60 ucranianos vivem em duas alas do convento.

 

As religiosas assistem os refugiados, garantindo acolhimento e conforto às famílias, em colaboração com o município de Laarbeek.

 

A privacidade é uma prioridade: cada família dispõe dos próprios espaços e instalações para cozinhar. As mães ajudam nas tarefas domésticas e a horta tornou-se um espaço compartilhado onde os refugiados e as irmãs cultivam legumes. Os jovens são encorajados a explorar os seus talentos na arte, música, pastelaria e cozinha.

 

O abade Francis Pfanner insistiu para que fossem lidos os sinais dos tempos para um ministério fecundo e é isto que as irmãs fazem hoje.

 

Com 83 anos, a irmã Ingeborg Müller desempenha um papel fundamental, ajudando os refugiados a aprender inglês, oferecendo-lhes um instrumento para a integração. «Não é fácil, mas muitos progridem», confirmou. A formação de competências e responsabilidades compartilhadas ajudam a restituir dignidade e esperança às pessoas desalojadas.

 

E a esperança persiste. Os ucranianos unem-se às religiosas nas orações diárias pela paz na sua pátria e no mundo. A sua gratidão pela segurança, abrigo e companhia transforma o convento num lugar de resiliência e fé compartilhadas.

 

«Esta casa, outrora lugar de oração, agora é lugar de sobrevivência e esperança, mas também espaço que hoje chamam lar», afirmou a irmã Müller.

 

O ministério não está isento de desafios. O convento é antigo e precisa de reparações, e o transporte continua a ser um dos principais obstáculos. Adaptar-se à vida em comunidade é difícil até para algumas famílias.

 

No entanto, apesar destes obstáculos, a gratidão enche o ambiente. Os ucranianos unem-se às irmãs em oração pela paz, criando uma comunidade unida pela fé e resiliência. «A gratidão dos refugiados mantém viva a missão das religiosas».

 

Neste grande convento, outrora repleto de cânticos e hinos, agora ressoam risos, gratidão e o som da esperança.

 

Num momento em que muitos questionam a importância da vida religiosa na Europa, as irmãs do Preciosíssimo Sangue representam um testamento: a missão vive quando o amor age!

 

Artigo de Irmã Christine Masivo, CPS, Vatican News

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