10/05/2026
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RD Congo: combonianas partilham uma “causa comum” com os últimos
RD Congo: combonianas partilham uma “causa comum” com os últimos
Depois do caminho que nos acompanhou rumo ao Jubileu da Vida Consagrada (8–12 de outubro de 2025), desejamos continuar a caminhar na senda da Esperança, deixando-nos inspirar por novos testemunhos do Sisters Project do Vatican News, que publicaremos semanalmente no nosso site.
Esta semana partilhamos a missão das Irmãs Missionárias Combonianas, que partilham a vida das crianças de rua em Kisangani, num país africano ferido pela guerra e pelo abandono, oferecendo o seu serviço no centro Saint Laurent, que não é apenas um abrigo, mas uma possibilidade de futuro.
Órfãs e marcadas por cenas de violência, há crianças na República Democrática do Congo que precisam de afeto, de proximidade e de alguém que lhes possa dizer com um olhar e um sorriso: «és importante para mim». Esse é o objetivo do Centro Saint Laurent em Kisangani: acolher e acompanhar as crianças numa viagem que as ajude a se sentirem bem consigo próprias e com os outros.
As religiosas da comunidade de Postulado das Missionárias Combonianas, em especial Francisca Sánchez, espanhola com vasta experiência missionária na República Democrática do Congo e no Togo, e Nicole Mboma Enzenze, congolesa com experiência em Moçambique, estão constantemente presentes e seguem os menores em diversas atividades. São acompanhadas por cinco postulantes do Chade e da República Democrática do Congo.
Fundação e organização
O Centro Saint Laurent foi fundado em 10 de agosto de 1999 por um padre dehoniano, Giovanni Pross, em resposta às consequências da guerra que afetou gravemente Kisangani em 1996 e 1997. As Irmãs Missionárias Combonianas colaboram com o centro desde o início. O centro está estruturado em setores: escola, educação, higiene e saúde, culinária, assistência e cuidados pessoais. Todos trabalham em conjunto e, todos os sábados, tem reunião com voluntários e funcionários para organizar o trabalho. As crianças acolhidas são divididas em três grupos (pequeno, médio e grande), sendo que cada grupo tem um adulto responsável presente de dia e de noite.
O trabalho não é fácil, e a abordagem inicial requer paciência e muita sensibilidade para atender às necessidades das crianças que sofreram traumas profundos, sobretudo relacionados com o abandono. Ao mesmo tempo, é necessária firmeza para garantir que a falta de pontos de referência claros não torne a intervenção educativa ineficaz. «Inicialmente, muitos menores são violentos e têm dificuldade em seguir as regras, por isso é preciso ser firme, mas ao mesmo tempo, agir com ternura», explica a Irmã Nicole, que trabalha no centro desde o início de 2024, responsável pelo depósito de roupa, calçado e material escolar.
A Irmã Francisca trabalha no centro desde 2021 e é responsável pela formação humana e intelectual, inclusive através da exibição de filmes educativos. Também supervisiona os aspectos litúrgicos e musicais do centro, tendo formado um coro que se revelou um método eficaz de cura dos traumas. A história de Paulina é um excelente exemplo: depois de ter ficado muda devido a um trauma grave, graças ao canto coral, começou a soltar a língua e agora consegue soletrar o seu próprio nome. Um grandíssimo sucesso para todos.
Histórias de vida e de renascimento
Muitas das crianças acolhidas têm histórias que deixam uma marca profunda. Como a de um menino de cerca de quatro anos, encontrado na floresta após um longo período de solidão que lhe tinha causado graves dificuldades de relacionamento e de comunicação. Graças à presença constante e carinhosa das religiosas e dos educadores, começou lentamente a confiar, a falar e a partilhar as suas experiências. A entrada na creche impulsionou ainda mais o desenvolvimento, transformando relações inicialmente conflituosas em laços serenos. A Irmã Nicole recorda que o primeiro encontro foi difícil: depois de ter sido obrigada a repreendê-lo, o menino deixou de lhe falar durante uma semana. Foi ela quem tomou a iniciativa, aproximando-se dele com um sorriso e palavras gentis. Esses pequenos gestos de proximidade dissiparam a desconfiança inicial e, hoje, explica a religiosa, «somos grandes amigos: cada vez que me vê chegar, corre para me abraçar e contar tudo o que fez e aprendeu na escola».
A Irmã Francisca tem também uma história que a comoveu profundamente: a de uma menina de sete anos que sofria de uma deformação no pé e foi levada para Goma a fim de se submeter a uma cirurgia que a restabeleceu. Quando regressou a Kisangani e foi acolhida numa casa-família, visitou as religiosas e pediu para usar as habilidades manuais que aprendeu no centro a fim de ajudar a sua mãe adotiva a pagar as despesas escolares. O engenho da menina impressionou profundamente as religiosas e tornou-se um sinal concreto de como o crescimento é possível quando alguém se sente acolhido, ouvido e valorizado.
Uma experiência que transforma
As postulantes prestam um importante serviço na biblioteca e no apoio acadêmico. Descrevem como ver até o mais pequeno progresso numa criança que aprende a ler pode transformar um dia que começou mal. Algumas descobrem que, em momentos de cansaço, o simples fato de se aproximarem de uma criança enche os seus corações de energia renovada. Todas descrevem a biblioteca como um ponto de encontro onde as crianças não têm medo de pedir ajuda, de serem ouvidas e de encontrar palavras de consolo. Concluem que, se o seu fundador, São Daniel Comboni, hoje fosse vivo, estaria certamente presente ao lado dessas crianças. Tinha uma predileção especial pelos pequeninos, pelos abandonados e pelos últimos da história. Porque cada criança acolhida hoje é uma possibilidade de paz amanhã.
Artigo de Irmã Loreta Beccia, Vatican News
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