25/02/2026
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2ª Semana da Quaresma: Transformadas pela Esperança
2ª Semana da Quaresma: Transformadas pela Esperança
“Transformadas pela Esperança” propõe-se como um espaço de escuta e discernimento sobre os Evangelhos dominicais que acompanharão o nosso caminho quaresmal.
A iniciativa, promovida pelas Teólogas da UISG, situa-se no horizonte aberto pelo Jubileu e deseja prolongar a sua graça, continuando a viver a nossa vocação como peregrinas de esperança diante dos desafios do tempo presente.
A cada semana, à luz da Palavra de Deus, contemplaremos um aspecto da conversão à qual somos chamadas, deixando-nos conduzir pelo Espírito no caminho rumo à Páscoa. É um convite a permitir que a esperança evangélica molde o nosso modo de crer, de viver a comunhão e de participar na missão da Igreja.
Durante a primeira semana, o comentário ao Evangelho de Mateus (4, 1-11) é preparado pela Ir. Thérèse Raad.
«Transfigurou-se diante deles…»
Na nossa vida consagrada, há momentos de Tabor. Momentos em que tudo se torna luminoso. Em que o rosto de Cristo brilha para nós como o sol. Em que a nossa vocação recupera a sua clareza inicial, a sua beleza original, a sua frescura.
Jesus leva consigo Pedro, Tiago e João. Leva-os para um lugar isolado, no alto de uma montanha. Nada é improvisado. A Transfiguração não é um espetáculo: é uma graça concedida na intimidade.
Como mulheres consagradas, sabemos o que significa «e levou-os, só a eles, a um alto monte». Os nossos momentos de oração, os nossos retiros, os nossos capítulos, os nossos silêncios comunitários... são essas montanhas para onde o Senhor nos leva para nos mostrar quem Ele realmente é — e quem nós somos Nele.
Mas a Transfiguração não é apenas consolação. É revelação.
O rosto de Jesus torna-se brilhante como o sol. As suas vestes, brancas como a luz. Não é outra pessoa: é o mesmo Jesus. Aquele que caminhará para Jerusalém. Aquele que será incompreendido. Aquele que será crucificado.
A luz não suprime a cruz. Ela revela o seu significado.
Quantas vezes desejámos «fazer três tendas»? Fixar um momento forte, manter uma comunidade fervorosa, preservar uma missão que dava frutos, reter uma época mais estável da nossa congregação...
«Senhor, é bom estarmos aqui!»
Sim, é bom estar na luz. Mas a nossa vocação não consiste em habitar a montanha. Consiste em escutar.
A voz do Pai ressoa: «Este é o meu Filho muito amado... escutem-no».
Escutem-no. Nas nossas decisões de governo, nas nossas escolhas apostólicas, nas nossas tensões comunitárias, nas diminuições numéricas, nos novos apelos da Igreja sinodal. Escutem-no.
A nossa fecundidade não vem das nossas estratégias, mas da nossa capacidade de escutar o Filho muito amado.
«Os discípulos caíram com a face por terra, muito assustados».
A experiência de Deus desestabiliza. Ela deixa-nos de joelhos. Ela lembra-nos que não controlamos a obra.
Então Jesus aproximou-se e tocou-os: «Levantem-se e não tenham medo».
Este gesto sempre me comove. Cristo não deixa os seus discípulos esmagados pelo medo. Ele levanta-os.
Quantas irmãs hoje precisam de ser levantadas? Levantadas do cansaço, do desânimo, da perda de sentido, dos conflitos, das reestruturações, das fragilidades pessoais...
E se a nossa primeira missão fosse tornar-nos, umas para as outras, esse gesto de Cristo?
«Erguendo os olhos, os discípulos apenas viram Jesus e mais ninguém».
No fim, só fica Ele.
Nem Moisés, nem Elias, nem as seguranças do passado, nem as certezas institucionais.
Só Ele.
Talvez seja esse o cerne da maturidade consagrada: consentir que tudo se simplifique até ficar apenas com Jesus.
E então vem a descida da montanha.
Não ficamos na luz. Descemos para a planície, para os doentes, para as multidões, para a incompreensão... para a cruz.
A nossa vida consagrada é este movimento contínuo:
Subir para contemplar.
Descer para servir.
Ouvir para discernir.
Receber a luz para atravessar a escuridão.
Num mundo fragmentado, numa Igreja em transformação, em congregações chamadas a reinventar-se, a Transfiguração lembra-nos: o nosso futuro não depende da nossa força.
Depende da nossa capacidade de ouvir o Filho amado.
E quando o medo nos domina, quando a incerteza nos faz cair com a face por terra, lembremo-nos: Ele se aproxima, toca-nos e ainda hoje nos diz: «Levantem-se e não tenham medo».
Que esta Palavra se torne, para cada uma de nós, luz para continuar o caminho.
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